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2° Vinda de Jesus

Submergeme - Marina de Oliveira
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A paz do Senhor e o amor de Maria esteja com todos os nossos visitantes.

Disponibilizamos aqui parte de nossa vigília profética (Século XXI), um assunto pouco divulgado na Teologia atual, mas de grande importância em nossos dias.

 

 

P R E F Á C I O

 

Céus novos e uma Terra Nova

 

"E então verão o Filho do Homem voltar sobre as nuvens com grande poder e glória" ( Mc 13,26). 

 

Esta é uma realidade. Isto vai acontecer. São Marcos, como os demais evangelistas, está nos transmitindo as próprias palavras de Jesus.

Só não sabemos quando será, porque Jesus, por ordem do Pai, não nos revelou. Por isso mesmo, Ele repetidamente insiste para que sejamos sóbrios e vigilantes. Ele repetidamente insiste para que sejamos sóbrios e vigilantes. Em outras palavras: que vivamos como se cada dia o Senhor viesse nele.

Eu gosto de repetir: se o Senhor não vem, nós vamos para o encontro derradeiro com ele, porque não sabemos também o dia e a hora de nossa morte.

A realidade do Senhor e do fim dos tempos não tem sido suficientemente explorada em nossa teologia. Nossas pregações e catequeses pouco, ou quase nada, falam dessa verdade de fé.

Por isso, o nosso povo vive na ignorância da beleza desta verdade que é a meta e o cume de toda a história da humanidade.

Por isso, o livro do meu amigo Miguel Martini vem em boa hora. Ele vem clarear com objetividade o mais empolgante fato da nossa história, a meta de todos os acontecimentos: Cristo vindo com poder e glória nas nuvens do céu e, no mesmo momento, os que morreram em Cristo ressurgindo dos sepulcros e os que estiveram vivos sendo transformados, num abrir e fechar de olhos, e recebendo um corpo glorioso como o de Jesus e todos nós sendo arrebatados ao encontro do Senhor nos ares, como nos afiança a Palavra de Deus.

O fim de tudo não será uma catástrofe cósmica, mas Céus Novos e uma Terra Nova. Uma nova humanidade, num mundo novo. É por isso que São Lucas, no seu evangelho, vem tirar os nossos medos e levar o nosso ânimo afirmando: "Quando começarem a acontecer estas coisas, reanimai-vos e levantai as vossas cabeças, porque se aproxima a vossa libertação" (Lc 21,28).

 

Parabéns ao Miguel Martini que hoje intercede por nós, que corajosamente nos deixou essas realidades de fé, baseando-se unicamente na Palavra de Deus e na sã doutrina da Igreja.

 

Nota: Conteúdo em 18 capítulos.

 

O Missionário - Ressuscitados pelo amor de Deus e a intercessão de Maria

 

 

 

CAPÍTULO I 

 

JESUS VAI VOLTAR?

 

"Todas as vezes que comemos deste pão e bebemos deste cálice, anunciamos, Senhor, a vossa morte, enquanto esperamos a vossa vinda."

 

A história da salvação se dá em diversas etapas. Deus criou e organizou o homem na face da terra, depois escolheu um povo, a partir de Abraão. 

Com essa escolha, o Senhor passa a ter um povo sobre a terra. Logo depois, o povo de Deus, através de Moisés, recebe a lei, ou seja, o modo como viver sobre a terra. Tudo isso apontava para o dia mais importante da nossa salvação: a chegada de Jesus.

 

Paulo descreve em Gálatas: "Chegada a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho nascido de uma mulher" (Gl 4,4). Jesus vem cumpre seu papel de revelar o Pai, redime a humanidade morrendo na cruz, forma sua Igreja enviando o Espírito Santo e estabelece um tempo para essa Igreja até que Ele volte.

Portanto, a espera da segunda vinda de Cristo é renovada todos os dias, no mundo inteiro, na liturgia eucarística, pela Igreja, ao dizer "todas as vezes que comemos deste pão e bebemos deste cálice, anunciamos, Senhor, a vossa morte, enquanto esperamos a vossa vinda".

Nenhum teólogo ou Igreja tem dúvida quanto à segunda vinda do Senhor. Quando os primeiros cristãos perguntaram se era o momento de Jesus restaurar Jerusalém - como encontramos no Livro dos Atos dos Apóstolos -, Jesus não negou esse momento, Ele não disse que a Igreja não deveria se preocupar com esse assunto.

 

Vejamos, a Igreja acabara de nascer. Ela tinha agora a missão de levar o evangelho até os confins da terra, como descrito no versículo 8 de Atos dos Apóstolos: "Descerá sobre vós o Espírito Santo, que lhes dará força e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, na Judéia e na Samaria e até os confins da terra."

 

A preocupação central da Igreja recém-nascida era levar a mensagem da salvação ao mundo inteiro. Para isso, seria revestida da força do Espírito Santo, e não deveria preocupar-se tanto com a segunda venda do Senhor.

Mas, apesar de os primeiros cristãos estarem focados em levar o evangelho até os confins da terra suas pregações traziam a visão escatológica (escatológica é a doutrina das coisas que devem acontecer no fim dos tempos; no fim do mundo).

O capítulo 3 de Atos dos Apóstolos narra o milagre realizado por Pedro e João a caminho do templo. Esse fato assombrou o povo, que atônito, acercou-se dos dois. Pedro, então, aproveita o momento para anunciar Jesus e convidá-los a crerem Nele, a se arrependerem e a se converterem, a fim de que os pecados lhes fossem apagados. Imediatamente lhes fala da segunda vinda do Senhor quando afirma: "Então enviará Ele o Cristo, que vos destinado, Jesus, a quem o céu deve acolher até os tempos da restauração de todas as coisas, das quais Deus falou pela boca de seus santos profetas" (At 3,20b-21).

 

Também o Apóstolo Paulo, na primeira das diversas cartas que escreveu, no livro mais antigo do Novo Testamento, já demonstrava preocupação com a segunda vinda do Senhor, como podemos constatar no capítulo 5,23 da primeira epístola aos Tessalonicenses: "O Deus da paz vos conceda santidade perfeita; e que o vosso ser inteiro, o espírito, alma e o corpo sejam guardados de modo irrepreensível para o dia da Vinda de nosso Senhor Jesus Cristo."

 

Tanto Pedro, o apóstolo dos judeus, como Paulo, o apóstolo dos gentios, trabalham esse tema em suas pregações e escritos, trabalham esse tema em suas pregações e escritos. Ao lermos Mateus - "e este evangelho para todas as nações. E então virá o fim" (Mt 24,14) - percebemos que há um tempo estabelecido entre o início da propagação do Evangelho e a chegada dessa mensagem ao mundo inteiro.

Em Atos, os anjos afirmam que, do mesmo modo que viram Jesus subir, o verão descer dos céus: "Os anjos disseram: Homens da Galiléia, por que estais aí a olhar para o céu? Este Jesus que foi arrebatado dentre vós para o céu, assim virá do mesmo modo como o vistes partir para o céu"

(At 1,11).

 

 

Também no final dos Evangelhos vemos dizendo de sua segunda vinda gloriosa e dos diversos sinais que antecedem esse evento.

Os primeiros cristãos cumpriram a missão de levar o evangelho e advertiram a Igreja sobre a vinda gloriosa do Senhor. Cabe à Igreja dos dias atuais - ao identificar os diversos sinais precursores e constar que o evangelho está chegando aos confins da terra - se deter este sobre assunto com mais profundidade.

Vigiai e orai!

Jesus, em Mateus, diz "vigiai, portanto, porque não sabeis nem o dia nem a hora" (Mt 25,13).Paulo, Escrevendo aos Tessalonicenses, também adverte: "Vos sabeis perfeitamente que o dia do Senhor virá como um ladrão noturno. "E acrescenta: "Vós, porém, meus irmãos, não andais em trevas, de modo que esse dia vos surpreenda como um ladrão" (1 Tes 5,2-4).

Uma das razões que me fizeram resistir a escrever este livro foi pensar na consequência que essa leitura provocaria. Convenci-me de que tanto as epístolas, o que os apóstolos escreveram, como o que Jesus ensinou nos apontam uma atitude de permanente vigilância. Se, ao ler este texto, você se tornar mais vigilante, glória a Deus, ele cumpriu seu papel. Espero que, assim como eu, não queira ser surpreendido.

Suponhamos que eu fique sabendo que um ladrão vai roubar sua casa na próxima semana. A partir desse momento, passo a viver o seguinte dilema: alerto ou não meu irmão? 

Se alertá-lo sobre esse fato, você poderá apavorar-se, sentir-se inseguro diante da notícia... Se o ladrão não aparecer, o pior que pode acontecer é ter provocado um falso alarme. Então, para evitar que você se estresse, decido não avisá-lo. Três dias depois, o ladrão entra em sua casa, mata e rouba.

 

Imagine agora a situação inversa: eu tomo a decisão de avisá-lo. Apesar do estresse, do medo, da insegurança, você terá a oportunidade de se preparar: contratar segurança, alertar a polícia, instalar um alarme em sua casa, armar-se. Quando o ladrão chegar, ele não o surpreenderá.

O apóstolo Paulo, em Tessalonicense, recomenda que nos preparemos a fim de não sermos surpreendidos pelo dia do Senhor. Propõe que vivamos em perfeita santidade, e ao mesmo tempo, que não sejamos ingênuos e distraídos, porque, de modo geral, os ladrões nos surpreendem quando estamos desatentos e despreparados.

 

Como estamos convencidos por meio da Palavra de Deus e da Igreja de que Jesus virá uma segunda vez e os sinais precursores apontam para a proximidade desse dia, urge que nos preparemos, nos armemos com a espada do Espírito que é a palavra de Deus, fechemos as brechas de nossa casa, urge que nos preparemos, nos armemos com a espada do Espírito que é a palavra de Deus, fechemos as brechas de nossa casa, para que o inimigo não entre, vigiemos nossa conduta e fortaleçamos nossa fé pela palavra de Deus, pela Eucaristia e pela oração. 

Agindo assim, nada temos a temer.

 

A vinda do Senhor será para nós dia glorioso e feliz!

 

O Missionário - Ressuscitados pelo amor de Deus e a intercessão de Maria

 

 

 

CAPÍTULO I I

Podemos saber quando?

Não há dúvida de Jesus voltará. Como vimos no capítulo anterior, Ele virá! Queremos agora refletir se podemos ou não saber quando.
Sugiro que recorramos a alguns textos:

"Daquele dia e daquela hora, ninguém sabe. Nem os anjos dos céus, nem o filho, mas só o Pai" (Mt. 24,36)

 


Com base nos textos de Mateus, poderíamos parar nosso estudo por qui, pois ele afirma: "ninguém sabe nem o dia e nem a hora". Se nos limitássemos apenas a esse texto, concluiríamos que não nos é dado saber quando Jesus voltará.

Um segundo texto que também nos desapontaria é a primeira carta aos Tessalonicenses: "No tocante ao tempo e ao prazo, meus irmãos, é escusado escrever-vos. Porque vós sabeis, perfeitamente, que o dia do Senhor virá como um ladrão noturno.
Quando as pessoas disserem "paz e segurança" então lhes sobrevirá repentina destruição. Como as dores sobre a mulher grávida e não poderão escapar" (1 Tes. 5,1-3)

Por este texto, Paulo diz que é desnecessário escrever sobre o tempo e o prazo da segunda vinda do Senhor. Ele também afirma que o dia do Senhor virá como um ladrão. Portanto, poderíamos encerrar nosso estudo concluindo que sobre este tema não é dado escrever nem falar.

Em Atos dos Apóstolos, Jesus afiram: "Não compete a vós conhecer os tempos e os momentos que o Pai fixou com a sua própria autoridade" (At. 1,7). Considerando os três textos, creio que poderíamos  fechar a bíblia e parar o estudo.

Uma conclusão precipitada poderia nos conduzir a um equívoco se considerássemos que não nos é permitido falar ou escrever sobre quando o Senhor voltará glorioso.

 

Creio porém, que esses textos mostram que ninguém está autorizado a afiramr o dia em que o Senhor virá, pois só o Pai sabe.

 

Já houve, na história da humanidade, pessoas, membros de determinadas seitas, que marcaram data para vinda do Senhor e levaram muitas pessoas ao erro. Algumas delas chegaram ao suicídio, como noticiado pela mídia. Outras seitas, vendo frustrada a previsão, marcaram uma nova data, o que também não aconteceu. Se nem o filho de Deus sabia o dia e a hora, claro que nenhum de nós poderia sabê-lo, até porque satanás também não sabe quando será esse dia. No dia em que o homem souber, certamente satqanás saberá, e esse é um assunto exclusivo do Pai.

 

Mas é preciso continuar buscando, na própria palavra de Deus, se há outros textos que nos autorizam conhecer o tempo da volta do Senhor Jesus, até porque "um texto fora do contexto não é mais do que um pretexto". Precisamos examinar a palavra de Deus no seu conjunto e não pinçar, isoladamente, esse ou aquele texsto. Esse artifício foi utilizado por satanás para enaganr Jesus na tentação no deserto.

 

Satanás conduziu Jesus a Jerusalém, colocando-o sobre o pináculo do tempo e disse-lhe: "Se és o filho de Deus, atiar-te para baixo, porque está escrito 'Ele dará ordem a seu respeito para que te guardem, e ainda, eles te tomarão pelas mãos para que não tropeces em nenhuma pedra."" O inimigo estava citando o salmo 91, versículo 11e 12. Jesus, porém, respondeu: "Não  tentarás ao Senhor teu Deus" , citando Deuteronômio 6,16. Podemos tomar, ainda, o salomo 14 (13), 1: Diz o insensato no seu coração: Deus não existe." Se alguém maliciosamente omitisse a primeira parte desse versículo, poderia uasr a própria palavra de Deus para afirmar que Deus não existe. Portanto, vamos examinar outros textos. antes de concluirmos que não é possível saber o dia da vinda do Senhor.

 

O profeta Daniel, no antigo Testamento, é o que mais nos dá referência a respeito dos tempos finais ou da segunda vinda do Senhor, por isso em vários momentos, trabalharemos seu livro.

 

No exílio da Babilônia, Daniel recebeu de Deus a graça de interpretar sonhos; no capítulo 12, percebemos  com clareza, também, que Deus revela a Daniel os acontecimentos futuros. Vejamos: "Vai, Daniel, pois esta palavras estão fechadas e reservadas até o tempo do fim. Muitos serão purificados, alvejados, acrisolados. Os maus agirão com maldade e todos os maus ficarão sem compreender. Os que são esclarecidos, porém, compreenderão" ( Dn. 12,9-10).

 

A primeira afirmação do texto é que todas as questões escatológicas estariam fechadas até o tempo do fim. Portanto, não seria permitido compreendê-las antes do tempo estabelecido por Deus. Outra afirmação é que entre a revelação de Daniel até o tempo  do fim haveria um período em que muitos seriam purificados, alvejados, acrisolados, ou seja, seria um período em que a história  da salvação teria seu curso. Os maus, os pecadores, os orgulhosos não compreenderiam.

 

Esses versículos nos permitem concluir que Deus vai revelar as coisas futuras a um grupo de pessoas que viriam santamente, sejam cheias do Espírito Santo. Elas compreenderão, ao passo que outras, não. A partir, então, desse texto de Daniel, começamos a perceber indícios bíblicos de que Deus quer revelar o tempo de sua segundavinda gloriosa.

 

O livro do Eclesiático também nos dá uma pista sobre esse assunto: "Ele sondou as profundezas do abismo e do coração humano, penetrou seus segredos, porque o Altíssimo possui toda a ciência e vê o sinal dos tempos. É Ele que anuncia o passado e o futuro e revela o futuro dos segredos" (Eclo. 42,18-19)

 

Afirma-se aqui o que já sabemos: Deus conhe o passado, o presente e o futuro, porque é onipotente. Mas o que chama nossa atenção nesse versículo é o final: "É que anuncia o passado e o futuro e revela o fundo dos segredos."

 

O livro do profeta Amós também nos dá um indicativo de que podemos saber quando será a segunda vinda de Cristo. O capítulo 3,7 nos recorda que "Deus não faz coisa alguma sem revelar os seus segredos aos seus servos, os profetas."

Em Eclesiástico, Deus fala que revela o futuro. Em Daniel, diz que as pessoas esclarecidas compreenderão os tempos  futuros e, em Amós, o Senhor afirma que revela a seus servos, os profetas, o que realizará no futuro. Os três textos são um indicativo de que Deus não quer esconder os acontecimentos finais à Igreja. Pelo contrário, Ele indica que querer revela-los, porém nem todos compreenderão. 

Em Gênesis, compreendemos com mais clareza o que anunciam Daniel, Eclesiástico e Amós. Vejamos um exemplo claro dessas afirmações: Deus estava para destruir Sodoma e Gomorra, pois o pecado havia chegado ao cúmulo. Deus, porém, antecipadamente, deu a conhecer a Abraão o que iria realizar. "Ocultarei a Abraão o que vou fazer, já que Abraão se tornará uma nação grande e poderosa e por ele serão benditas todas as nações da terra" (Gn. 18,17-18). Foi quando Abraão intercedeu a favor da cidade (vide versículo seguintes).

Além de avisar Abraão, mandou os anjos avisarem Ló da destruição, de modo que ele pudesse salvar sua família. Ou seja, Deus não quer pegar seu povo, seus filhos, sua Igreja desprevenidos. Por isso, Deus adverte, usa meios para dar a conhecer o que vai fazer.

No Novo Testamento, Paulo recomenda: "Vós, porém, meus irmãos, não andais em trevas, de modo que esse dia vos surpreenda como um ladrão" (1 Tes. 5,4). Lembremo-nos do que vimos em Daniel: "Os que forem esclarecidos compreenderão, mas os que estiverem no pecado, na maldade, não compreenderão."

O que Paulo afirma aqui? Que a Igreja deve estar vigilante, longe do pecado, para não ser surpreendida com a segunda vinda de Cristo. Se você anda na luz, Jesus poderá voltar a qualquer momento que você não será surpreendido.
Andando na luz, você terá a compreensão necessária, segundo Daniel, do sinal dos tempos.

Jesus exorta as multidões: "Quando vedes levantar-se uma nuvem na poente, logo dizeis 'vem chuva' e isso sucede. Hipócritas! Sabeis discernir o aspecto da terra e do céu e por que não discernis o tempo presente?" (Lc. 12,54-56).

Essa exortação de Jesus se justificava principalmente porque aquele povo conhecedor da palavra de Deus, há pelo menos sete séculos, esperava a chegada do Messias profetizada por Isaías (que de maneira bem detalhada descreveu aquele momento), Moisés e os outros profetas. Apesar de terem todos os motivos para discernir o tempo em que estavam vivendo, não foram capazes. Estavam muito mais preocupados em negar que Jesus era o Messias do que em procurar, de maneira sincera, comparar as profecias com os acontecimentos presentes e até mesmo com os fartos sinais que Jesus realizava.

Nesse texto de Lucas, Jesus diz: ao mesmo tempo, fiquem atentos, olhem para os sinais, para os acontecimentos e identifiquem que tempo é esse que vocês estão vivendo. ´E o mesmo que dizer: pelos sinais evidentes, você poderão reconhecer quando chegar o fim dos tempos. Isso confirma Paulo ("se andarmos na luz não seremos surpreendidos"), Daniel ("os esclarecidos compreenderão os tempos futuros") e Gênesis ("Deus revelou a Abraão e a Ló, que revelou aos seus familiares"). A partir desses textos, poderemos concluir que Jesus quer revelar à sua Igreja o tempo de sua volta.

Lucas clareia ainda mais o que dissemos: "Como aconteceu nos dias de Noé, assim também ocorrerá nos dias do Filho do homem. Comiam, bebiam, casavam, se davam em casamento até o dia em que Noé entrou na arca. Então veio o dilúvio que os fez perecer a todos. Do mesmo modo como acontecia nos dias de Ló:  comiam, bebiam, compravam, vendiam, construíam, mas o dia em que Ló saiu de Sodoma caiu de do céu fogo e enxofre, eliminando a todos. Será desse modo o dia em que o filho do homem for revelado" (Lc. 17,26-30).

No texto acima, Jesus nos dá referência mais claras acerca dos tempos futuros: será como nos dias de Noé e Ló. Aqui valem duas observações: para punir o pecado, Deus fez duas intervenções na humanidade. A primeira, quando enviou o dilúvio; a segunda, quando destruiu Sodoma e Gomorra.

Muito bem, o que o texto nos permite entender é que na época de Noé, quando Deus decidiu destruir toda humanidade, antes de fazê-lo, cumpriu o que estava em Gênesis 18, 17 ("ocultarei a Abraão o vou fazer"), em Amós 3,7 ("o Senhor Javé não faz coisa alguma sem revelar os seus segredos aos seus profetas") e Eclesiástico 42,18-19 ("porque o Altíssimo possui toda a ciência e vê o sinal dos tempos; é Ele quem anuncia o passado e o futuro e revela o futuro dos segredos").

Noé era um homem justo, íntegro entre os seus contemporâneos, e andava com Deus. Gerou três filhos: Sem, Cam e Jafé. A terra havia se pervertido diante de Deus e Deus decidiu destruí-la. Chamou Noé e disse: "Faze uma arca, pois vou enviar o dilúvio sobre a terra para exterminar de debaixo da do céu toda carne que tiver sopro de vida. Tudo o que há na terra deve perecer, mas estabelecerei minha aliança contigo. Entrarás na arca tu e teus filhos, tua mulher e as mulheres de teus filhos contigo..."

Obediente ao Senhor, Noé inicia a construção da arca, segundo o modelo descrito pelo Senhor (cerca de 150 metros de comprimento, 25 metros de largura e 15 metros de altura).
Que coisa absurda! Não havia rio nem mar e Noé começou a construir uma grande embarcação. Imaginemos as gozações que sofreu Noé. Devem tê-lo chamado de louco, desvairado, porque não havia lógica a construção daquela arca. Quando Noé começou a colocar todos aqueles animais dentro da arca, as pessoas devem ter pensado: "Agora esse homem enlouqueceu de vez."  Acontece que Noé sabia o que estava fazendo, Deus havia revelado. Assim que Noé e os seus entraram na arca e a porta foi fechada, veio o dilúvio e destruiu a todos.

Em Sodoma e Gomorra - segundo momento de intervenção divina para punir o pecado que havia chegado ao cúmulo - Deus agiu do mesmo modo: enviou dois anjos à casa de Ló e anunciou que destruiria as cidades, mas que ele e sua família seriam salvos. Mandou, inclusive, que Ló avisasse aos seus para que saíssem da cidade, pois seria destruída. Estes, porém, não lhe deram crédito. Tão logo Ló, sua mulher e suas duas filhas saíram da cidade, veio o fogo e enxofre e dizimou Sodoma e Gomorra com todos os que ali habitavam.

Jesus nos adverte que sua segunda vinda será do mesmo modo: as pessoas estarão nas atividades do dia-a-dia, como se nada de anormal estivesse acontecido. A história continuará seu curso normal até que chegue o momento da intervenção de Deus.

Concluindo, Jesus não só quer a Igreja conheça os sinais que antecedem sua vinda,  como dá muitos indicativos.

afirma que muitos estarão distraídos vivendo a vida do mundo, segundo as regras do mundo, fazendo todas as coisas naturalmente e repentinamente virá o dia do Senhor. Os vigilantes, porém, não serão surpreendidos!

O Missionário  - Ressuscitados pelo amor de Deus e a intercessão de Maria

 

 

CAPÍTULO III

AS DORES DO PARTO

 

Em Marcos, Jesus explica a seus apóstolos, após ter sido indagado por eles, como reconheceriam o tempo da consumação de todas as coisas: "Quando ouvires falar de guerras e de rumores de guerra, não vos alarmeis: é preciso que aconteçam, mas ainda não é o fim. Pois levantar-se-á nação contra nação e reino contra reino. E haverá terremotos em todos os lugares, e haverá fome. Isso é o princípio das dores do parto" (Mc 13,7-8).

 

As dores do parto são sinais que a mãe sente que indicam estar-se aproximando a hora do nascimento, o momento de dar à luz. Toda mulher que já teve a graça de gerar um folho conhece muito bem esses sinais. No princípio, as dores são mais leves e espaçadas; à medida que as dores aumentam em intensidade re frequência, a mulher começa a se preparar para um momento lindo: o nascimento de seu filho.

De acordo com o evangelista Marcos, Jesus compara sua vinda com um parto. Do mesmo modo que a mãe, o médico, a boa parteira sabem identificar o momento do nascimento conforme a frequência e a intensidade da dor, Jesus está querendo que a Igreja, olhando para os sinais da dor Ele indicados, identifique se estão próximos ou distante do dia do Senhor.

 

Paulo, na primeira carta aos Tessalonicenses, capítulo 3, reafirma: "Será as dores de uma mulher grávida." Ou seja, a palavra de Deus nos dá segurança de afirmar que terremotos, fome, guerras, nação contra nação, reino contra reino são as dores do parto, sinais precursores da vinda do Senhor.

Tomemos como exemplo os terremotos. Estatísticas indicam que de 18000 a 1900, um período de cem anos, ocorreram 18 grandes terremotos; de 1900 a 1950, portanto, 50 anos, foram registrados 33, quase o dobro do número registrado em um século; e de 1950 a 1996, ou seja 46 anos, ocorreram 96 grandes terremotos, três vezes mais.

Outros números revelam ainda que em todo o século XIX ocorreram 41 grandes terremotos provocando a morte de 350 mil pessoas; no século XX até 1997, 96 grandes terremotos causaram a morte de mais de 2 milhões de pessoas. Em 2005, no sudeste asiático, somente um terremoto provocou a morte de cerca de 300 mil pessoas e cinco milhões de desabrigados.

Em relação a outra dor que Jesus descreve - a fome - é fácil notar que cresce em intensidade e frequência a cada dia. Estatísticas mostram que quase um bilhão de pessoas em todo o mundo passa fome, a grande maioria mulheres e crianças. Dados revelam que em todo o mundo os ricos ficam cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. Isso indica que a tendência é de que a fome aumente o número de vítimas. Sobre esse assunto temos hoje disponíveis dados bem atualizados na internet que indicam a gravidade da situação, mostrando-nos uma realidade como nunca se verificou em nenhum período da história da humanidade. Em 2005 morreram de fome cerca de 1,6 milhão de pessoas em todo o mundo.

Antigamente, o mundo ficava penalizado com a Etiópia; hoje, também com várias "Etiópias" por toda a terra. Conhecemos casos, aqui no Brasil, de pais que vendem suas filhas para caminhoneiros nas estradas para, com esse mísero dinheiro, alimentar os outros filhos.

Em 1914, teve início a Primeira Guerra Mundial, que terminou em 1918, deixando 39 milhões de mortos, desses, 9 milhões eram militares e 30 milhões, civis.

Em 1917, teve início a revolução comunista na Rússia. Em 70 anos de comunismo, morreram 100 milhões de pessoas com o propósito de se implantar uma ideologia que tinha o ateísmo como pressuposto (vide Livro Negro do Comunismo, citado na bibliografia).

Já a Segunda Guerra Mundial, ocorrida entre 1939 e 1945, deixou um saldo de 51 milhões de mortos, sendo 17 milhões de soldados e 34 milhões de civis, dos quais 6 milhões eram de Judeus.

Da Segunda Guerra Mundial até os dias atuais, centenas de guerras aconteceram, além dos que se seguem permanentemente. Quem não se lembra do período da Guerra Fria, patrocinado pela União Soviética e pelos Estados Unidos, compreendido entre o final da Segunda Guerra e a derrubada do Muro de Berlim? Nesse período, o mundo todo viveu a expectativa de ver eclodir, a qualquer momento, mais uma guerra mundial.

As guerras têm se multiplicado a cada dia. Recentemente, um jornal de grande circulação noticiou a ocorrência simultânea de cerca de 70 conflitos de guerra em todo o mundo.

Também, por esse sintoma, as dores do parto têm aumentado em frequência e intensidade. O dia está chegando, prepare-se!

As dores do parto nos indicam a proximidade da chegada do Senhor, como já dissemos. A pergunta que queremos responder agora é: por que Paulo e Jesus falam de dores do parto ou dores da mulher grávida? Que parto é esse que irá acontecer?

 

O livro de apocalipse nos ilumina a respeito desse parto quando afirma "uma mulher vestida com o sol tendo a lua a seus pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas estava grávida e gritava, entre as dores do parto, atormentada para dar a luz" (Ap 12,1-6).


Que mulher é essa? Comumente a Igreja tem usado esse texto referindo-se a Maria., que gerou Jesus, o varão, que irá reger as nações com cetro de ferro. É verdade, esse texto nos permite perfeitamente identificar Maria e o varão sendo Jesus.

Se após a leitura do texto do Apocalipse procurarmos em Gênesis 37,9, perceberemos, também, que essa mulher vestida com o sol, tendo a lua sob seus pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas, pode perfeitamente ser identificada com Israel e o varão, que estava para nascer, com a Igreja.

Na bíblia de Jerusalém., p. 2314, item g, o comentarista diz: "é possível que João pensasse em Maria quando escreveu o capítulo 15 versículo de 1 a 6".

Gênesis relata o sonho de José: "Ele diz: tive ainda outro sonho, pareceu-me que o sol, a lua e onze estrelas se prostraram diante de mim" (Gn 37,9). José viu apenas onze estrelas porque ele era a décima-segunda. Ao compararmos os dois textos, nos convencemos de que o apóstolo São João inicialmente se referia a Israel como a mulher grávida e a Igreja como o varão que nasceria. até porque, se olharmos para a história da Igreja, Jesus era judeu; Maria era judia; os Apóstolos e os discípulos também eram judeus. Ou seja, a nação de Israel gerou a Igreja, corpo místico de Cristo.

 

Da mesma forma que a mulher concebe do seu marido, a Igreja conhece do Espírito Santo. Quando João utiliza da expressão "estava grávida e gritava as dores do parto, atormentada para dar à luz" (Ap 12,2), devemos considerar que antes desse momento houve a concepção, a gestação, o crescimento, o desenvolvimento da criança até o nascimento.

Portanto, a criança que nasce é o corpo místico de Jesus que completa sua formação. O nascimento se dá quando o corpo completa sua formação. Do mesmo modo como aconteceu no nascimento de Jesus, sucederá com a Igreja. Quando nasceu o menino, o dragão (Herodes) quis devorá-lo, obrigando Maria e José a fugirem para o Egito. Quando a Igreja nascer, o dragão (satanás) tentará devorá-la, mas mas ela será arrebatada para junto do Deus. O nascimento representa união definitiva da Igreja, o corpo, à cabeça, Jesus. Assim, as dores do parto a que Jesus se refere e que Paulo reafirma em I Tessalonicenses dizem respeito ao nascimento da Igreja.

 

Por isso, João afirma: quando o varão nasce, ou seja, quando a Igreja, corpo místico de Jesus, estiver formada e o tempo estabelecido por Deus se completar, essa Igreja fiel será arrebatada para se unir a Cristo Jesus nas regiões celestiais. Os outros acontecimentos vão se desenvolver.

Quando o dragão, satanás, perceber que a Igreja fiel foi arrebatada, ele vai desencadear a grande perseguição contra a nação de Israel, que será por três anos e meio, segundo Daniel 9,27; ou de um tempo, dois tempos e metade de um tempo (Dn 7,25) e, segundo apocalipse (Ap 12,14) , ainda, 1260 dias. Findo esse tempo, Jesus virá glorioso com toda a Igreja para definitivamente acorrentar satanás e resgatar a nação de Israel, cumprindo o que Paulo cita em Romanos: "Não quero que ignoreis, irmãos, este ministério para que não vos tenhais na conta de sábios: o endurecimento atingirá uma parte de Israel até que chegue a plenitude dos gentios e assim todo Israel será salvo" (Rm 11,25-26).

 

O Missionário  - Ressuscitados pelo amor de Deus e a intercessão de Maria

 

 

 

CAPÍTULO IV 

 

POR QUE E PARA QUE JESUS VOLTARÁ?

 

"No principio Deus criou o céu e aterra. Ora, a terra estava vazia e vaga, as trevas cobriam o abismo e o vento de Deus pairava sobre as águas" (Gn 1,1).
"Deus disse: Façamos o homem à nossa imagem e semelhança. E que eles dominem sobre os peixes do mar, as aves do céu, os animais domésticos, todas as feras e todos os répteis que rastrejam sobre a terra.
Deus criou o homem à sua imagem, à imagem de Deus ele os criou, homem e mulher ele os criou." (Gn 1,26-27)

 

Sabemos, pelo livro de Gênesis, que Deus criou todas as coisas e que, finalmente, criou o homem à sua imagem e semelhança para que governasse sobre todas as coisas. Quando completou a criação, Deus viu que tudo era muito bom.

 

O Catecismo da Igreja, número 375 a 379, afirma que Deus criou o homem em estado de santidade e justiça original. Vejamos:

"Interpretando de maneira autêntica o simbolismo da linguagem bíblica à luz do Novo Testamento e da tradição, a Igreja ensina que os nossos primeiros pais, Adão e Eva, foram constituídos em um estado de santidade e de justiça original. Esta graça da santidade original era uma participação da vida divina. Pela irradiação desta graça, todas as dimensões da vida do homem eram fortalecidas. Enquanto permanecesse na intimidade divina, o homem deveria nem morrer nem sofrer. A harmonia interior da pessoa humana, a harmonia entre o homem e a mulher e, finalmente, a harmonia entre o primeiro casal em toda a criação constituíam o estado denominado justiça original. O domínio do mundo que Deus havia outorgado ao homem, desde o início, realizava-se antes de tudo no próprio homem, como domínio de si mesmo. O homem estava intacto e ordenado em todo o seu ser. Porque livre da tríplice concupiscência que o submete aos prazeres dos sentidos, à cobiça dos bens terrestres e a autoafirmação contra os imperativos da razão. O sinal da familiaridade com Deus é o fato de Deus o colocar no jardim. Lá vive para cultivar e o guardar. O trabalho não é uma penalidade, mas sim a colaboração do homem e da mulher com Deus, no aperfeiçoamento da criação visível. É toda esta harmonia da justiça original para o homem pelo desígnio de Deus que será perdida pelo pecado dos nossos primeiros pais."

O estado de justiça original citado no texto acima permitia ao homem viver em plena comunhão com Deus, consigo mesmo, com os outros e com a natureza, e não morrer. Essa era a condição em que se encontrava o homem quando Deus o criou. Deus fez tudo certo! E o desejo Dele era que o homem vivesse eternamente assim.

 

Tentado por satanás, o homem pecou, perdeu essa condição, trazendo algumas graves consequências:

I - morte espiritual;

II - o homem passa a ser mortal (morte do corpo);

III - a terra foi amaldiçoada.

 

Morte Espiritual

O pecado foi um grande desastre na vida do homem, com grave consequências em toda a criação. A harmonia foi quebrada. O homem se desestruturou, perdeu a paz, perdeu a comunhão com Deus, com o próximo e com toda a criação. Perdeu a felicidade e a alegria, mas, como foi sonhado por Deus para ser feliz, o anseio de felicidade o impulsiona a buscá-la a todo custo. O rompimento com Deus, porém, o desordena; nessa condição produz a desordem da criação, a ponto de chegar aonde chegamos: um mundo caótico.

 

"A serpente era o mas astuto de todos os animais dos campos, que Iahweh Deus tinha feito. Ele disse à mulher: Então Deus disse: Vós não podeis comer de todas as árvores do jardim? A mulher respondeu à serpente: Nós podemos comer do fruto das árvores do jardim. Mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, Deus disse: Dele não comereis, nele não tocareis, sob pena de morte. A serpente disse então à mulher: Não, não morrereis! Mas Deus sabe que, no dia em que dele comerdes, vossos olhos abrirão e vós como deuses, versados no bem e no mal.

A mulher viu que a árvore era boa ao apetite e formosa à vista, e que a árvore era desejável para adquirir discernimento.
Tomou-lhe o fruto e comeu. Deu-o também a seu marido, que com ela estava ele comeu. Então abriram-se os olhos dos dois e perceberam que estavam nus; entrelaçaram folhas de figueira e se cingiram" (Gn 3,1-7)

"Deus criou o homem para incorruptibilidade, e o fez imagem de sua própria natureza, foi por inveja do diabo que a morte entrou no mundo, experimentam-na quantos são de seu partido" (Sb 2,23-24).

"Sendo que todos pecaram e todos estão privados da glória de Deus" (Rm 3,23).

"Eis porque, como por meio de um só homem, o pecado entrou no mundo e, pelo pecado, a morte, e assim a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram" (Rm 5,12).

 

A primeira grande consequência trazida pelo pecado foi a morte espiritual. O homem ficou privado da glória de Deus, perdeu sua paz e deixou de gozar da harmoniosa convivência como o Senhor. Como Gênesis, "eles ouviram o passo de Deus, que passeava pelo jardim à brisa do dia e o home e sua mulher se esconderam da presença de Deus" (Gn 3,8). O fato de Adão e Eva se esconderem de Deus indica claramente essa ruptura ou morte espiritual.

 

O home passa a ser mortal (morte do corpo)

 

O desejo de Deus era que o homem vivesse eternamente com Ele. O texto de Gênesis deixa bem clara essa vontade do Senhor: "Podeis comer de toda as árvores do jardim" (Gn 2,16).
Ora, no jardim havia, além de outras árvores, a árvore da vida e a árvore da ciência do bem e dom mal: "Javé Deus fez crescer do solo toda espécie de árvores formosas de ver e boas de comer e a árvore da vida no meio do jardim e a árvore do conhecimento do bem e do mal" (Gn 2,9).

Como vemos, Deus não proibiu o homem de comer do fruto da árvore da vida, se ele tivesse comido, teria vivido para sempre com o Senhor. Mas Deus não quis mudar a lei da liberdade. ele desejava que o homem escolhesse livremente viver eternamente com Ele. Porém, tentado por satanás, o homem faz a escolha errada e ao invés de comer da árvore da vida desobedece a Deus e come da árvore da ciência do bem e do mal, sofrendo com isso as consequências preditas pelo Senhor: "Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás, porque no dia que dela coeres, terás que morrer" (Gn 2,17).

"Vejamos outro texto que confirma o que dissemos até aqui: "Porque o salário do pecado é a morte, e a graça de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor" (Rm, 2,17).

"Foi por inveja do diabo que a morte entrou no mundo: experimentam-na quantos são de seu partido!" (Sb, 2,24).

"Com suor de teu rosto comereis teu pão até que retornes ao solo, pois foste tirado. Pois tu és pó e ao pó tornarás" (Gn 3,19).

"Depois disse Iahweh: "Se o homem já é como um de nós, versado no bem e no mal, que agora ele não estenda a mão e colha também da árvore da vida, coma e viva para sempre!" (Gn 3,22).

Todos esses textos são claros e afirmam que, como consequência do pecado, o homem passou a ser mortal, foi lhe fechado o acesso à árvore da vida ou à eternidade. Essa foi a segunda grave consequência trazida pelo pecado.

 

A terra foi amaldiçoada

 

"Ao homem, ele disse: Porque escutastes a voz de tua mulher e comeste da árvore que eu te proibira de comer, maldito é o solo por causa de ti! Com o sofrimento dele te nutrirás todos os dias de tua vida" (Gn 3,17).

Como dissemos no início deste capítulo, Deus criou tudo tendo em vista o homem, e o estabeleceu para governar sobre toda a criação: a harmonia existente entre o homem e a criação era total. O pecado rompeu com esta condição; não só trouxe consequências para o homem, mas também para toda a natureza.
Como podemos ver em Romanos: "Pois a criação em expectativa anseia pela revelação dos filhos de Deus. De fato, a criação foi submetida à vaidade - não por querer, mas por vontade da aquele que a submeteu - na esperança de ela também ser libertada da escravidão da corrupção para entrar na liberdade da glória dos filhos de Deus. Pois sabemos que a criação inteira geme e sofre as dores de parto até o presente" (Rm 8,19-22).

 

Também o livro da Sabedoria nos ajuda a compreender essa situação, pois nos revela que o desejo de Deus era de que o homem governasse o mundo com justiça e santidade, o que deixou de ocorrer a partir do pecado: "E com tua Sabedoria formaste o homem para dominar as criaturas que fizeste, governar o mundo com justiças e santidade e exercer o julgamento com retidão" (Sb 9,2-3).

Finalmente, o livro das Lamentações revela que o pecado foi a causa de termos perdido a coroa, ou seja o governo do mundo: "Caiu a coroa de nossa cabeça. Ai de nós porque pecamos" (Lm 5,16). Por isso, São João, na sua primeira epístola, nos alerta: "Nós sabemos que somos de Deus e que sua primeira epístola, nos alerta: "Nós sabemos que somos de Deus e que o mundo inteiro está sob o poder do Maligno" (1 Jo 5,19). Ora, cabia ao homem assumir esse poder e não o maligno, ele só assumiu "momentaneamente" porque pecamos.

Por todos os textos anteriores citados, vemos como o pecado interferiu no plano original de Deus. A queda só aconteceu por causa da tentação do demônio, o qual se aproveitou da liberdade que Deus havia dado ao homem. Sendo Deus perfeito, não poderia ter negado ao homem esse direito, e foi exatamente pelo mau do livre arbítrio que o pecado entrou no mundo. O pecado interferiu no plano original de Deus, mas não o alterou, pois logo após a queda, tem início o plano salvífico de Deus, que vai ser concluído com a segunda vinda gloriosa do Senhor.

 

O Missionário - Ressuscitados pelo amor de Deus e a intercessão de Maria

 

 

 

CAPÍTULO V 

 

A RESTAURAÇÃO

 

Para entendermos todo o processo de restauração, é importante destacarmos a queda e sua consequências. O homem precisa recuperar a comunhão com Deus, a imortalidade, e a terra, por sua vez, terá que passar, como toda a criação, pela libertação.

 

Em Atos dos apóstolos, lemos: "então enviará ele o Cristo que vos foi destinado, Jesus, a quem o céu deve acolher até os tempos da restauração de todas as coisas das quais Deus falou pela boca de seus santos profetas" (At 3, 21). E também em Mateus: "Em verdade eu vos digo que, quando as coisas forem renovadas, e o Filho do Homem se assentar no seu trono de glória..." (Mt 19,28a.).

 

Esses dois textos deixam bem claro que no tempo de Deus as coisas serão renovadas. As sequelas deixadas pelo pecado serão removidas. Passaremos a mostrar todo o desenvolvimento do plano salvífico de Deus, culminando com a vitória final trazida por Jesus em sua segunda vinda gloriosa.

Não é demais lembrar que fomos criados em estado de justiça e santidade original. O homem goza de plena harmonia com Deus, com o irmão e com toda a criação. O pecado foi um grande desastre na história da humanidade e Jesus é a solução providenciada por Deus para restaurar todas as coisas.

A história da salvação se desenvolve desde o protoevangelho até a volta gloriosas do Senhor. Queremos, um primeiro momento, mostrar sucinta, esse processo até o nascimento de Jesus.

 

HISTÓRIA DA SALVAÇÃO

 

"Porei hostilidade ente ti e a mulher, entre tua linhagem e a linhagem dela. Ele te esmagará a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar" (Gn 3,15)

Esse texto é conhecido como proto-evangelho. Através dele, Deus promete a vitória esmagando a cabeça da serpente.
Entretanto, o homem acaba de pecar, a terra estava amaldiçoada, o homem perderia a imortalidade e a comunhão com Deus. Vivia de tal modo mergulhado no pecado, a ponto de Deus não achar nenhum justo sobre a terra, e não ser. Noé.


"Javé viu que a maldade do homem era grande sobre a terra e que era continuamente mau todo desígnio do seu coração" (Gn 6,8).

 

Como afirmamos anteriormente, Deus criou o homem e a mulher e deu o livre arbítrio. Aproveitando-se dessa circunstância, satanás levou o homem a pecar. Deus, que promete a vitória sobre o mal (veja Gênesis 3,15), não modifica os critérios que estabeleceu ao criar o homem. Isso é: Deus não retira do homem sua liberdade para por seu plano salvífico, mas, utiliza-se da mesma liberdade.

Como vimos no texto acima, a humanidade estava mergulhada no pecado, mas Deus encontrou Noé, homem justo, que andava com Ele. E através deste, Deus retoma seu plano salvífico. Voltemos ao livro de Gênesis, quando Deus cria Adão e Eva, estes geram Caim e Abel. "Depois ela deu também a luz a Abel, irmão de Caim. Abel tornou-se pastor de ovelhas e Caim cultivava o solo. Passado o tempo, Caim apresentou produtos do solo em oferenda a Iahweb; Abel, por sua vez, também ofereceu as primícias e a gordura de seu rebanho.
Ora, Iahweb agradou-se de Abel e de sua oferenda. Mas não agradou-se de Caim e sua oferenda, e Caim ficou muito irritado e com o rosto abatido. Entretanto Caim disse a seu irmão Abel: Saiamos e, como estavam no campo, Caim se lançou sobre seu irmão Abel e o matou" (Gn 4,2-58).

 

O nome Abel significa vento, sopro (espírito); já o nome Caim significa ferreiro, da terra (carnal). Abel era pastor de ovelhas e Caim, agricultor.

Os dois ofereceram sacrifícios a Javé. Caim ofereceu produtos do solo. Deus porém, não se agradou nem da oferenda e nem de Caim. Se Caim estava na carne, a carne não poderia agradar a Deus. "Os que estão na carne não podem agradar a Deus" (Rm 8,8) e também a oferenda da terra não poderia agradar a Deus, porque só o Cordeiro (Cristo Jesus) o agradaria.

Abel, no entanto, agradou a Deus, porque era espiritual e fez a oferenda que agradava a Deus: ofereceu um cordeiro e sua gordura. Caim, enfurecido matou Abel. O Senhor, porém, suscitou nova descendência no lugar de Abel, porque começou ali a preparação para a chegada do salvador. Deus deixou claro que se seu plano restaurador deveria se desenvolver a partir da livre obediência do homem, possível apenas para aqueles que caminham no Espírito, não na carne. Com a morte de Abel (o espiritual), Deus suscita nova descendência, pós não poderia realizar seu plano salvífico por meio de Caim (que era carnal).

 

Assim, Eva dá à luz Set, que agradou a Deus, tanto que seu filho Enós foi o primeiro a invocar o nome de Javé: "Adão conheceu sua mulher . Ela deu à luz um filho e lhe pôs o nome de Set "porque" - disse ela - ele me concedeu outra descendência no lugar de Abel que Caim matou" (Gn 4,25).

Da desobediência de Set, nascerá Lamec, pai de Noé. Noé, "o único homem justo sobre a terra" (Gn 4,25), gera três filhos: Sem, Cam e Jafé. Desses, somente Sem agradou a Deus (Gn 9,26).

Da descendência de Sem, nascerá Tare, que gerou Abrão, Nacor e Arão Abraão gera Issac, que gera Jacó, que gera as doze tribos de Israel.

Desde Set até Jesus, Deus sempre escolheu os que o temeram e guardaram sua palavra. Será sempre a partir da fidelidade a Deus que a salvação se realizará.
As doze tribos de Israel chegaram ao Egito pelas mãos de José. Após a morte de José, foram escravizadas por 400 anos, no Egito. Deus suscitou Moisés, que os libertou e os introduziu na terra prometida. Começa, então a organização do povo de Deus.

Instituíram a monarquia e, com a morte de Salomão, dividiram-se em Reino de Israel (as 10 tribos do Norte) e Reino de Judá (as duas tribos do sul: Judá e Benjamim). Os reinos de Israel (em 720 a.C.) e Judá (em 587 a.C.) foram tomados e o seu povo levado para o exílio. Finalmente, em 445 a.C.; Deus os trouxe de volta, para reconstruírem o templo e a cidade de Jerusalém. "Chegada a plenitude dos tempos, Deus enviou seu filho nascido de uma mulher, nascido sob a lei" (Gál 4,4).

 

O capítulo 7 dos Atos dos apóstolos traz, de forma resumida, a história da salvação. Vale a pena consultá-lo para melhor compreensão.

 

O Missionário  - Ressuscitados pelo amor de Deus e a intercessão de Maria

 

 

 

CAPÍTULO VI


O ANO DA GRAÇA DO SENHOR

 

"O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para evangelizar os pobres, enviou-me para proclamar a remissão dos pecados e aos cegos a recuperação da vista, para restituir a liberdade aos oprimidos e para proclamar um ano da graça do Senhor.
Jesus enrolou o livro, entregou ao servente e sentou-se.
Todos na Sinagoga olhavam-no atentos.
Então começou a dizer-lhes: Hoje, se cumpriu aos vossos ouvidos essa passagem da Escritura"
(Lc 4,18-20).

 

Jesus começou, assim, sua vida pública. Entrou na Sinagoga, tomou um texto bíblico (Isaías 61,1-2), começou a ler e parou a leitura em "proclamar o ano da graça do senhor". Se você ler o texto no livro de Isaías, notará que Ele parou no meio do caminho. Por que não continuou? Porque se continuasse o texto, estaria falando daquilo que viria depois de terminar o ano da graça de nosso Deus. Na realidade, Ele estava dizendo:!Estou inaugurando esse tempo." Por isso ele diz: "Hoje, se cumpriu aos vossos ouvidos essa passagem." Qual passagem? A da inauguração do ano da graça de nosso Deus.

 

Leia agora Isaías e preste atenção:

"O espírito do Senhor está sobre mim, porque Javé me ungiu, enviou-me a anunciar a boa-nova aos pobres, a curar os quebrantados de coração e a proclamar a libertação aos que estão presos, e a proclamar um ano aceitável a Javé e um dia de vingança do nosso Deus" (Is 61,1-2).

 

Como vimos, Ele está no meio do versículo 2 de Isaías 61, e como é belo perceber em tudo isso o Espírito Santo agindo na Igreja.

A Bíblia foi dividida em capítulos e versículos muito tempo depois. Quem fez essas divisões manteve no versículo 2 de Isaías 61 dois fatos relevantes na história da salvação: o ano da graça do senhor e um dia da vingança do nosso Deus. Jesus, na sinagoga de Nazaré, iniciando a sua vida pública, toma exatamente o livro do Isaías capítulo 61, que se referia a Ele, a sua e ao tempo que ele estava inaugurando. Por isso, interrompe a leitura em "um ano da graça de nosso Deus", pois, se Ele tivesse continuado a leitura do versículo 2, não poderia dizer "hoje se cumpriu aos vossos ouvidos essa passagem da escritura. Porque o ano da graça do Senhor terminará com o arrebatamento da Igreja, por ocasião da segunda vinda do Senhor e terá inicio, então um dia de vingança do nosso Deus. E é isso que discutiremos mais adiante.

Estudaremos muitos textos, mas gostaria de iniciar com este, por considerá-lo em marco para i início da contagem do tempo. Em breve, veremos que II Tessalonicenses será outro marco para o término dessa contagem e a manifestação do anticristo.

 

Já constatamos que Jesus inaugurou o ano da graça de nosso Deus, que deve durar até o arrebatamento da Igreja, tema que trataremos em capítulo posterior.

"Jesus retomou: Um homem descia de Jerusalém a Jericó, e caiu no meio de assaltantes que, após telo despojado e espancado, foram-se, deixando-o semimorto. Casualmente, descia por esse caminho um sacerdote; viu-o e assou adiante. Igualmente um levita, atravessando esse lugar, viu-o e prosseguiu. Certo samaritano em viagem, porém chegou junto dele, viu-o moveu-se de compaixão. Aproximou-se cuidou de suas chagas, derramando óleo e vinho, depois colocou-o em seu próprio animal, conduziu-o a hospedaria e dispensou-lhe cuidados. No dia seguinte, tirou dois denários e deu-os ao hospedeiro dizendo: Cuida dele e o que gastares a mais, em meu regresso, te pagarei" (Lc 10,30-35).

 

Jesus afirma que, quando voltar, pagará o que gastamos além dos dois denários. O que esse dois denários simbolizam? Voltemos ao sentido da parábola: a hospedaria é a Igreja, o samaritano é Jesus e o homem semimorto são aqueles que vivem uma vida de pecado. Como vimos anteriormente, o homem resgatado por Jesus é levado à comunidade cristã para que cuide dele. Cabe aqui uma pergunta: "O que seria necessário à comunidade cristã para que tenha condições de cuidar desses que renasceram pela fé em Jesus e mantê-los fiéis ao Senhor até que Ele volte?"

Tomemos o texto de Mateus: "Jesus, aproximando-se deles, falou: Toda autoridade sobre o céu e sobre a terra me foi entregue. Ide, portanto, e fazei que as nações se tornem discípulos, batizando-as em nome do Pai do Filho e do Espírito Santo e ensinando-as a observar tudo quanto vos ordenei e eis que eu estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos" (Mt 28,18-20).

 

OS DOIS DENÁRIOS

 

Através da própria palavra de Deus, sabemos que há dois modos claros e objetivos de Jesus alimentar a Igreja: primeiro, através da Eucaristia:
"Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele" (Jo 6,56); segundo, pela Palavra: "Se permanecerdes na minha palavra, sereis verdadeiramente meus discípulos e conhecereis a verdade e a verdade vos libertará" (Jo 8,31-32) e ainda "toda escritura é inspirada por Deus e útil para inspirar, para refutar, para corrigir, para educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito, capacitado para toda boa obra"
(2Tim 3,16-17) e, finalmente, "vós já estais puros por causa da Palavra que voz fiz ouvir"
(Jo 15,3).

 

No princípio era o verbo e o verbo estava com Deus e o verbo era Deus (Jo 1,1) e o verbo se fez carne e habitou entre nós e nós vimos sua glória, glória que Ele tem junto do Pai, como Filho único, cheio de graça e de verdade (Jo 1,14). "Se permanecerdes em mim e minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiseres e vós o tereis" (Jo 15,7).

 

Se olharmos para a liturgia eucarística, percebemos claramente os dois momentos centrais: o primeiro, a mesa da Palavra; o segundo, a mesa Eucarística. Portanto, podemos também considerar os dois denários simbolizam a Palavra de Deus e a Eucaristia. Até porque a Igreja afirma em cada celebração eucarística: " toda as vezes que comemos deste pão e bebemos deste cálice anunciamos, Senhor, a vossa morte enquanto esperamos a vossa vinda".

Se você se alimenta da Eucaristia e da Palavra de Deus, terá força suficiente para que esperar o regresso do Senhor. Bastam dois denários. Dois dias de trabalho. Se além da Palavra e da Eucaristia porém, você também jejuar, rezar o rosário etc, se gastar além dos dois denários, com certeza, receberá a recompensa, pois Deus é justo e afirma: "Se gastares a mais, no meu regresso, eu te pagarei."

Deus tem por nós amor eterno, Ele quer que todos se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade. O que mais Jesus nos tem falado nos últimos tempos, especialmente por meio de Santa Faustina, é que os homens confiem em sua misericórdia. Por que? Porque o tempo da misericórdia de Deus está findando, o ano da graça de nosso Deus já está acabando. Quando terminar, virá a justiça de Deus, "um dia de vingança de nosso Deus".

O Senhor nos adverte de que os que aproveitarem do ano da graça se salvarão pela fé em Jesus Cristo. Durante o ano da graça de nosso Deus, basta que você creia na Palavra de Deus e aceite Jesus, para ter a salvação, como afirma Paulo em Efésios: "Pela graça fostes salvos, por meio da fé, isso não vem de vós, é dom de Deus" Ef 2,8). Quando terminar o ano da graça de nosso Deus, a salvação não será mais pela fé: "Quem crê no filho tem a vida eterna. Quem recusa crer no Filho não verá a vida. Pelo contrário, a ira de Deus permanece sobre ele" (Jo 3,36).

Jesus veio inaugurar esse ano da graça. Pelo cumprimento das profecias, e os sinais evidenciaremos neste livro, esse tempo está se esgotando. Portanto, é urgente que a Igreja depositária da confiança do Senhor, esteja atenta a todos esses sinais, lançando-se, com todo ardor, na busca daqueles que estão destinados à salvação.

Que você, caro leitor, não se distraia, mas, vigilante, se prepare para esse encontro glorioso com o Senhor, a fim de que não precise passar pelo dia de vingança de nosso Deus.

O Missionário  - Ressuscitados pelo amor de Deus e a intercessão de Maria

 

 

 

CAPÍTULO VII


A RESTAURAÇÃO ESPIRITUAL

 

Já verificamos as três graves consequências do pecado: o homem perdeu a comunhão com Deus, a imortalidade, e a terra foi amaldiçoada. Trataremos aqui da primeira consequência.

O templo de Jerusalém era dividido em Três parte: o átrio exterior, a que todos tinham acesso, ao santo, onde se encontravam o candelabro, o altar do incenso e o altar dos pães da proposição, somente o sacerdote tinha acesso; finalmente o santo dos santos ou Debir, que trazia o altar de ouro para os perfumes, além da arca da aliança recoberta de ouro e acompanhada de um vaso de ouro com o maná, o bastão de Arão que florescera e as tábuas da aliança. Nesse lugar sagrado, separado por um véu, somente o sumo sacerdote, uma vez por anos, após se purificar, poderia entrar para oferecer sacrifício a Deus em favor de seu povo.

Quando Jesus morreu na cruz, o céu do santuário se rasgou de alto a baixo. "Jesus, porém tornando a dar um grande grito, entregou o espírito. Nisso, o véu do santuário se rasgou em duas partes, de cima a baixo, a terra e as rochas se fenderam" (Mt 27,50-51). Esse fato indica que o acesso ao Pai estava novamente restaurado, pois simbolizava o pecado, que fora então destruído, pois o véu simbolizava o pecado, que fora então destruído na cruz do calvário. Jesus devolve ao homem a possibilidade de voltar à comunhão com Deus.

 

"Eu sou o caminho a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai a não ser por mim" (Jo 14,6).
O acesso ao Pai estava livre e também sabemos qual é o caminho. Depende apenas de tomar a decisão e querer voltar à comunhão com o Pai. "Em verdade em verdade eu te digo, vos digo: quem não nascer do Alto não pode ver o Reino de Deus" (Jo 3,3). Para voltarmos à comunhão, temos que nascer de novo e isso se dá quando, pela fé aceitamos Jesus como Senhor e Salvador: "Pela graça fostes salvos, por meio da fé e isso não vem de vós, é dom de Deus" (Ef 2,8).
Ser salvo significa voltar a ser filho e ter comunhão com Deus.

Crer em Cristo Jesus dizer: aceitar o sacrifício da cruz como expiação de nossos pecados, assumir a missão salvadora de Jesus e tomar a palavra de Deus como modelo para nossa vida. Pela misericórdia de Deus, somos lavados e regenerados, através do Espírito Santo de Deus. Assim afirma Paulo a Tito: "Não por causa dos atos justos que houvéssemos praticado, mas porque, por sua misericórdia, fomos lavados pelo poder regenerador e renovador do Espírito Santo"
( Tt 3,5).

 

A primeira restauração já aconteceu. Quando Jesus morreu na cruz e ressuscitou, Ele a realizou. Assim, diz: "não me retenhas, porque ainda não subi ao Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus" (Jo 20,17). Ele vai aos céus entregar a salvação da humanidade. Agora, pela fé em Jesus, posso nascer de novo. Portanto, essa restauração se dá, quando creio, quando aceito Jesus, e passo a viver essa vida nova nele.

Neste momento, convido você a tomar a grande decisão de sua vida: aceitar Jesus como seu Senhor e Salvador, e passar a viver uma vida de filho de Deus.

 

O Missionário  - Ressuscitados pelo amor de Deus e a intercessão de Maria

 

 

 

CAPÍTULO VIII


O HOMEM RECUPERA A IMORTALIDADE

 

O homem, criado por Deus para a imortalidade, após a queda tornou-se mortal, pois "o salário do pecado é a morte" (Rm 6,23), tanto a morte espiritual , que o leva a perder a comunhão com Deus, como também a morte carnal.

Pela fé em Cristo, recuperamos a vida espiritual, pois Jesus Cristo, ao morrer na cruz, destruiu a morte. Paulo afirma: "Ó, morte, onde está tua vitória? Ó, morte onde está teu aguilhão? Pois a morte foi tragada pela vida."

 

Do mesmo modo que o homem recupera a vida em comunhão com Deus, também recuperará a imortalidade. Há dois modos possíveis para que isso aconteça. O primeiro deles nos é assegurado no Credo da Igreja Católica ("...creio na comunhão dos santos, na remissão dos pecados, na ressurreição da carne e na vida eterna"). Como vemos, a Igreja afirma categoricamente que pela ressurreição da carne recuperarão a imortalidade.

 

Tomemos a palavra de Paulo na segunda carta aos Coríntios: "Sabemos, com efeito, que se a nossa morada terrestre, esta tenda, for destruída, teremos no céu um edifício, obra de Deus, morada eterna, não feita por mãos humanas. Tanto assim, que gememos pelo desejo ardente de revestir por cima da nossa morada terrestre a nossa habitação celeste. O que será possível se formos encontrados vestidos e não nus. Pois nós, que estamos nesta tenda, gememos acabrunhados, porque não queremos ser despojados da nossa veste para vestir a outra por cima desta, a fim de que o que é mortal seja absorvido pela vida. E quem nos dispôs a isso foi Deus, que nos o penhor do Espírito" (2 Cor 5,1-5).

 

Paulo compara nosso corpo nessa vida a uma tenda e afirma que recebemos, no céu, uma mansão. Ao fazer essa comparação, o apóstolo quis mostrar a insignificância de nosso corpo mortal diante do corpo glorioso que recebemos. Quer dizer, seremos revestidos de imortalidade e incorruptibilidade.

Também o evangelista João assim afirma: "Não vos admireis com isto: "vem a hora em que todos os que repousam nos sepulcros ouvirão a sua voz e sairão; os que tiverem feito o bem, para uma ressurreição de vida, os que tiverem praticado o mal, para uma ressurreição de julgamento"
(Jo 5,28-29). Também Daniel trata desse tema: "E muitos dos que dormem no solo poeirento acordarão, uns para a vida eterna e outros para opróbrio, para o horror eterno" (Dn 12,2).

 

A recuperação da imortalidade através da ressurreição não suscita nenhum questionamento diante do que expusemos. Há no entanto, um segundo modo de recuperarmos a imortalidade, que Paulo afirma tratar-se de um mistério: "eis que vos dou a conhecer o mistério: nem todos morreremos, mas todos seremos transformados, num abrir e fechar de olhos, ao som da trombeta final; sim a trombeta tocará, e os mortos ressurgirão incorruptíveis, e nós seremos transformados. Com efeito, é necessário que este ser corruptível se revista da incorruptibilidade e que este ser mortal se revista da imortalidade" (1 Cor 15,51-53).

 

Esse segundo modo revelado por Paulo como um mistério é realmente algo novo, pois trata-se de um assunto que não é muito comum de se ouvir na Igreja: o arrebatamento.

Segundo Paulo, "nem todos morreremos, mas quem ainda não tiver morrido, por ocasião da chegada de Jesus, não terá que morrer para ressuscitar. Para então ser revestido de imortalidade, de incorruptibilidade, algo precisa acontecer, porque ele mesmo afirma "e preciso que o ser mortal se revista da imortalidade e que o ser corruptível se revista de incorruptibilidade".

 

Há uma lógica no raciocínio de Paulo, "por isso vos declaramos, segundo a palavra do Senhor, que os vivos, os que ainda estiverem vivos aqui para a vinda do Senhor, não passaremos à frente dos que morreram. quando o Senhor, ao sinal dado, à voz do arcanjo e ao som da trombeta divina, descer do céu, então os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro; em seguida nós, os vivos que estivermos lá, seremos arrebatados com eles nas nuvens para o encontro com o senhor, nos ares. E assim, estaremos para sempre com o Senhor" (1 Tes 4,15-17).

 

O mistério revelado por Paulo é o arrebatamento, que ocorrerá por ocasião da segunda vinda do Senhor. Como ele mesmo afirma, os que estiverem adormecidos em Cristo ressuscitarão primeiro, ou seja, receberão o corpo glorioso. Logo após, os cristãos fiéis que estiverem vivendo santamente serão arrebatados, pois diz: "Será como num abrir e fechar de olhos, de um momento para outro, esse corpo mortal se revestirá de imortalidade e estaremos para sempre com o Senhor."

Imaginemos uma situação em que uma pessoa aceitou Jesus como Senhor e Salvador e a partir de então viveu uma vida santa. Faleceu. Três anos depois, Jesus volta e certamente ela ressurgirá, receberá o corpo glorioso e viverá com Jesus. Esta pessoa permaneceu três anos aguardando ser revestida do corpo glorioso. Agora imaginemos que faltasse apenas dois meses, ou quem sabe uma hora ou até mesmo um segundo. Quando Jesus voltar, quem não tiver morrido não terá que passar pela morte para então ressuscitar; será transformado, apenas.

 

Como afirma Paulo, "Eis que vos dou a conhecer o mistério, nem todos morreremos, mas todos seremos transformados" (1Cor 15,51), ou seja, o corpo mortal será revestido de imortalidade, como num abrir e fechar de olhos. O segundo modo de adquirirmos a imortalidade, portanto, se dará pelo arrebatamento. Esse tema será tratado detalhadamente em capítulos posteriores.

Se o arrebatamento acontecer amanhã, você já estaria preparado? Ainda há tempo, enquanto disser hoje, pois amanhã é apenas uma possibilidade. "Hoje, se ouvires a sua voz, não endureçais vosso coração' (Sl 95 (94) 7c-8).

 

O Missionário - Ressuscitados pelo amor de Deus e a intercessão de Maria

 

 

 

CAPÍTULO IX

A RESTAURAÇÃO DA TERRA

O homem é a obra-prima da criação. Ao criá-lo, Deus imprimiu nele a sua imagem e semelhança. O Salmo 8 assim afirma: "Pouco abaixo de Deus o fizeste, coroando-o de glória e esplendor" (Sl. 6,6)

Antes de criá-lo, porém , Deus preparou tudo para o homem vivesse bem, alegre e feliz. Cada detalhe foi pensado.
Como um casal que espera a chegada de um filho: empenha-se em preparar tudo para que a criança encontre o melhor ambiente possível para escrever e se desenvolver. O quarto do bebê é preparado, embelezado; o berço é cuidadosamente escolhido; as cortinas, os móveis, o enxoval, enfim, tudo aquilo que possa ser importante para este filho tenha um ambiente acolhedor. 

Assim fez nosso Deus: cuidou de cada detalhe que poderia ser importante para que o homem tivesse aqui um ambiente acolhedor, agradável e seguro, e pudesse se desenvolver vivendo nesse ambiente em plena harmonia com Deus, com os outros e com a criação.

Quando lemos o capítulo 1 de Gênesis, ficamos fascinados  com o cuidado, o amor e o carinho com que Deus preparou a terra, o lugar onde iríamos viver. Só para alguns exemplos, você já pensou na variedade de cores, das flores que embelezam esse planeta, dos mares, dos riachos, das cascatas, das frutas de variados sabores, dos diversos tipos de alimento, do sol, da lua, das estrelas, das estações do ano?

Ao concluir a preparação do ambiente, Deus viu que tudo era bom, então disse: "Façamos o homem a nossa imagem , com nossa semelhança e que eles dominem sobre os peixes do mar, as aves do céu, os animais domésticos, todas as feras e todos os répteis que rastejam sobre a terra. Deus criou o homem a sua imagem, à imagem de Deus Ele o criou, homem e mulher Ele os criou." (Gn. 1,26-27); o salmo 8 assim afirma: "Para que domine as obras de suas mãos, sob seus pés tudo colocastes" ( Sl. 8,7) e, ainda, no Eclesiástico: "deu-lhes poder sobre tudo o que está sobre a terra" (Eclo. 17,2b).

 

Percebemos claramente a relação de dependência entre o homem e toda a criação. A ação do homem tem repercussão direta e imediata na natureza, pois toda ela foi criada em função do homem e ao homem foi dado poder de dominá-la. Por isso Paulo afirma em Romanos: "De fato a criação foi submetida à vaidade não por seu querer, mas por vontade daquele que a submeteu" (Rm. 8,20).

Antes daquela, havia plena harmonia entre o homem e a natureza. E o desejo de Deus era que ela perdurasse para sempre. Ao desobedecer a Deus, o homem e com ele toda a natureza, como podemos ver em Gênesis: "Ao homem ele disse: 'porque escutaste a voz de tua mulher e comeste da árvore que eu te proibira de comer, maldito é o solo por causa de ti! Com sofrimento ele te nutrirá todos os dias de tua vida" (Gn. 3,17).

A terceira consequência do pecado foi a maldição da terra; portanto, do mesmo modo que o homem, a terra precisará ser resgatada, conforme vemos em Romanos: "Todavia com a esperança de ser também ela (a terra) libertada do cativeiro da corrupção, para participar da glória liberdade dos filhos de Deus" (Rm. 8,21).

A restauração da terra é profetizada em diversos textos, como na segunda carta de Pedro: "O que nós esperamos, conforme a sua promessa, são novos céus e nova terra, onde habitará a justiça" (2Pd. 3,13). "Com efeito, vou criar novos céus e nova terra; as coisas de outrora não serão mais lembradas, nem tornarão a vir ao coração" (Is. 65,17). "Sim, da mesma maneira que os novos céus e a nova terra que eu estou para criar subsistirão na minha presença - oráculo de Iahweh - assim subsistirá a vossa descendência e o vosso nome" ( Is. 66,22).

Lembre-se de que em Mateus 19,28 já vimos a promessa de renovação de todas as coisas. Mas os textos acima referem-se, especialmente, à restauração da terra. Passemos, então, a tratar do modo como tudo isso ocorrerá. Para entendermos todo o processo, vamos recorrer à restauração da terra. Passemos, então, a tratar do modo como tudo isso ocorrerá. Para entendemos todo o processo, vamos recorrer à relação entre o povo de Deus e sua terra.

Deus prometeu dar a Abraão e à sua descendência a terra de Canaã em possessão perpétua, como verificamos em Gênesis: "A ti, e à tua raça depois de3 ti darei a terra em que habitas, todas, toda a terra de Canaã, em possessão perpétua, e serei o vosso Deus" (Gn. 17,8).

Somente o povo de Deus recebeu esse privilégio. Examinemos, então como eles tratavam a questão da propriedade.

O livro de Levítico nos permitirá compreender: "Contarás sete semanas de anos, sete vezes sete anos, isto é, o tempo de sete semanas de anos, quarenta e nove anos. No sétimo mês, no décimo dia do mês, farás vibrar o toque da trombeta; no dia das expiações, fareis, soar as trombetas em todo o país. Declareis santo o quinquagésimo ano e proclamareis a libertação de todos os moradores da terra. Será para vós um jubileu: cada um de vós retornará a seu patrimônio, e cada um de vós voltará ao seu clã. O quinquagésimo ano será para vós um ano jubilar: não semeareis, nem ceifareis as espígas que não forem reunidas em feixes, e não vindimareis as cepas que tiverem brotado livremente. O jubileu será para vós coisa santa e comereis os produtos dos campos. Neste ano de jubileu tomará cada um a sua possessão. Se venderes a seu compatriota ou dele comprares que ninguém prejudique o seu irmão! Segundo o número dos anos decorridos depois do jubileu, comprarás de teu compatriota e segundo o número dos anos das colheitas ele te estabelecerá o preço da venda. Quanto maior o número de anos, mais aumentarás o preço, quanto menor o número de anos, mais o reduzirás, pois ele te vende um determinado número de colheitas" (Lv. 25,8-16).

 

Como vemos pelo texto, a cada 50 anos todas as propriedades deveriam ser devolvidas aos legítimos donos. As promessas de Deus asseguravam bênçãos para quem se mantivesse fiel aos mandamentos de Deus, caía em desgraça; além de não ter a colheita esperada, em muitos casos acabava tendo que vender a sua terra: "Guardareis os meus estatutos e minhas normas, guardá-los-eis pondo-os em prática e desse modo habitareis na terra em segurança. A terra dará o seu fruto, comê-lo-eis com fartura e habitareis em segurança" (Lv. 25,18-19).

 

Mas a terra não podia ser vendida perpetuamente, por isso, a lei de Deus estabelecia três modos de resgatar a propriedade: o parente remidor, por meios próprios ou no ano jubilar. 

 

Primeira forma de resgate: parente remidor

"...Se teu irmão cair na pobreza e tiver de vender algo do seu patrimônio, o seu parente mais próximo virá a ele a fim de exercer o seu direito de família sobre aquilo que vende o seu irmão" (LV. 25,23-25)

Continua no link da barra de menu acima em: 2° Vinda de Jesus - P2

O Missionário - Ressuscitados pelo amor de Deus e a intercessão de Maria

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